Aprender é verbo em estéreo: quando ler e ouvir se tornam o mesmo ato

Aprender é verbo em estéreo: quando ler e ouvir se tornam o mesmo ato


Estudos não faltam. A forma como absorvemos informações — seja por meio da leitura ou da audição — tem despertado o interesse de pesquisadores em educação, linguística e neurociência.

Em termos gerais, a leitura permite controlar o ritmo, voltar a trechos, revisar e refletir de maneira mais deliberada. Já a audição, especialmente palestras ou podcasts, oferece a vantagem da mobilidade e do aproveitamento em trânsito.

Mas a resposta de qual modo “ensina mais” ou “melhor” não admite uma única resposta: depende da complexidade do material, do perfil do aprendiz, do contexto e da finalidade de aprendizado. Estudos nacionais e internacionais trazem dados interessantes sobre a correlação sobre compreensão auditiva (listening) e de leitura (reading).

O Reading and Writing encontrou que, em crianças de 7 a 9 anos (segundo e terceiro anos),  a compreensão em leitura explicativa varia de 40% em auditiva, e cerca de 34% da variância em compreensão de leitura. Outro estudo apontou que memória de trabalho e atenção comportamental contribuem de modo diferente para leitura e audição. Para textos mais densos e complexos, a neurociência sugere que a leitura oferece melhor desempenho.

Um artigo da revista Veja, baseado em estudo com ressonância magnética, afirma que “ler é mais eficaz do que ouvir” para textos complexos, enquanto a audição pode ser mais acessível para pessoas com dislexia ou dificuldades de leitura. Porém, para tarefas mais simples ou mais ligadas à aprendizagem do idioma, a combinação de leitura e audição pode trazer benefício adicional.

O Brasil também traz contribuições relevantes. Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) analisaram como as habilidades auditivas e linguísticas se relacionam com a aprendizagem e constatam que crianças com hipoacusia leve apresentavam maior dificuldade na aprendizagem da leitura do que crianças com audição normal — reforçando a ideia de que a audição desempenha papel importante no desenvolvimento da leitura e não pode ser negligenciada.

De tudo, uma frase que costuma ser atribuída a Naval Ravikant, empreendedor e pensador do Vale do Silício, resume bem parte desse debate: “Ler é mais rápido do que ouvir. Fazer é mais rápido do que assistir.”, sugerindo que o meio importa, mas o ritmo e o engajamento importam ainda mais. Se você ouve distraído, irá reter menos. Se você lê, mas não reflete, o benefício também será menor.

Para aplicar essas descobertas ao dia a dia

Se o objetivo for absorver um texto técnico ou aprofundado, provavelmente ler será mais eficiente — você tem controle, pode voltar, refletir e absorver com mais calma.

Se, por outro lado, você está acessando conteúdo enquanto dirige ou caminha, a audição torna-se prática — mas vale considerar revisitar por escrito para consolidar.

O mais recomendado: combinar ambos
Ouvir um podcast ou audiolivro enquanto acompanha o texto transcrito ou depois fazer uma releitura. A combinação estimula múltiplos canais sensoriais — visão e audição — e parece facilitar a fixação da informação.


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Beatriz Iara Schoueri

Designer gráfica que se tornou pesquisadora de UX, além de storyteller de coração e marketeira por paixão (ou acaso). Entre um filme, um mangá e um bom livro, também arrisco umas histórias próprias. Sou muitas em uma — e adoro me reinventar.

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