Quando a literatura pede ar: COP30, Chico Buarque e a chance de ouvir o futuro

Quando a literatura pede ar: COP30, Chico Buarque e a chance de ouvir o futuro

Durante a COP30, as falas de Chico Buarque e de outros artistas reacenderam um debate que parecia silencioso demais para o tamanho do impacto que produz: o uso do plástico termoencolhível, o chamado shrink, que envolve a maioria dos livros vendidos no Brasil. Segundo reportagens recentes, algo entre 360 e 700 toneladas desse plástico são geradas todos os anos apenas para proteger exemplares que, muitas vezes, serão abertos assim que o leitor chegar em casa. A contradição não passa despercebida: o livro, símbolo de pensamento crítico, reflexão e sensibilidade, vem embrulhado num material de vida curtíssima e difícil reciclagem. Essa tensão foi o estopim do manifesto assinado por Chico, Fernanda Montenegro e outros nomes que, ao lado de ambientalistas, pedem que o setor editorial encontre alternativas responsáveis para esse invólucro descartável — não necessariamente proibindo o plástico de imediato, mas reconhecendo que o seu “custo” ambiental não se justifica diante da função que desempenha (conforme discutido por Veja e pelo Estado de Minas).

Do outro lado, editoras defendem que o plástico cumpre uma função essencial na logística, especialmente diante da pressão de grandes plataformas de vendas, que exigem que o produto chegue intacto ao consumidor. Mas, como lembrou a Câmara Brasileira do Livro em sua participação na própria COP30, a sustentabilidade precisa atravessar toda a cadeia editorial, e isso inclui pensar novas soluções em design, embalagem e distribuição.

É justamente nesse vazio entre a tradição e a necessidade de reinvenção que os audiolivros emergem como uma alternativa elegante e profundamente contemporânea. Eles não dependem de embalagem, não geram resíduos, não exigem transporte físico e, ainda assim, preservam — e muitas vezes ampliam — a experiência literária. O arquivo digital chega ao leitor de forma limpa, direta, sem deixar rastros materiais. Mais que isso: abre portas para quem tem dificuldades visuais, para quem vive espremido entre deslocamentos e compromissos, para quem deseja ler enquanto o corpo faz outra coisa. A escuta, no século XXI, volta a ser uma forma de leitura.

Se o debate levantado por Chico Buarque provoca alguma coisa, é essa necessidade de repensar não apenas o objeto livro, mas o modo como consumimos cultura. O gesto de ouvir um audiolivro pode ser, ao mesmo tempo, um ato de curiosidade, de afeto e de responsabilidade ambiental. Se o conhecimento sempre foi uma ferramenta para transformar o mundo, talvez esteja na hora de permitir que a forma como o recebemos acompanhe essa transformação.

Nesse momento em que o país discute o impacto ambiental do próprio ato de ler, é impossível ignorar que já existe, no Brasil, quem abra caminhos para um consumo cultural mais leve, inclusivo e sustentável. A Tocalivros, empresa nacional com mais de uma década dedicada à arte de narrar histórias, reúne milhares de títulos em seu acervo — e, na assinatura ilimitada, mais de 130 mil títulos entre audiolivros e eBooks disponíveis para quem quer mergulhar na literatura sem gerar um grama de plástico. Em um mundo que pede urgência e cuidado, ouvir pode ser mais que uma escolha: pode ser um gesto de futuro. A tecnologia está posta, o catálogo está vivo — e a porta para uma leitura mais consciente já está aberta. Quer entrar?

Fica aqui a dica de ouro: vale aproveitar o Black November e curtir um ano de boas histórias pelo preço de apenas cinco meses. 

Beatriz Iara Schoueri

Designer gráfica que se tornou pesquisadora de UX, além de storyteller de coração e marketeira por paixão (ou acaso). Entre um filme, um mangá e um bom livro, também arrisco umas histórias próprias. Sou muitas em uma — e adoro me reinventar.

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