Vozes que não se calam mesmo depois do silêncio:

Vozes que não se calam mesmo depois do silêncio:

Mar de Marielle e a construção de uma memória coletiva

Conheci a história de Marielle Franco como muita gente no Brasil, a partir de uma notícia violenta que tentou reduzir sua trajetória a um único acontecimento. Com o tempo, fui entendendo que Marielle era muito mais do que isso. Ela foi socióloga, vereadora, mulher negra, criada na Maré, e levou para a política pautas que costumam ficar à margem, como os direitos humanos, a vida nas periferias e a participação de mulheres negras nos espaços de poder.

O assassinato de Marielle, em 2018, causou indignação e deixou uma sensação clara de tentativa de silenciamento. Ainda assim, o que aconteceu depois foi o oposto. Seu nome continuou sendo dito, lembrado e questionado. A pergunta sobre quem foi Marielle se transformou em uma reflexão coletiva sobre o que ela representa hoje.

Para mim, Marielle se tornou um símbolo de luta por justiça social e de presença política vinda das margens. Seu legado segue vivo, seja na atuação de outras mulheres negras na política, nos movimentos sociais ou nas manifestações culturais que se recusam a deixá-la cair no esquecimento.

É a partir desse legado que Mar de Marielle chega à Tocalivros em formato de audiolivro. A obra reúne poemas de diferentes autoras e autores que escrevem a partir da memória de Marielle. Não se trata de uma biografia, mas de uma construção coletiva, feita de vozes diversas que transformam luto em palavras e mantêm viva a força do seu legado.

O título do livro aponta para a ideia de movimento e continuidade. Mar como algo que não se contém.  Essa imagem dialoga diretamente com a forma como a memória de Marielle permanece em circulação, sem se deixar encerrar por uma data ou por um silêncio imposto.

No formato de audiolivro, essas vozes ganham ainda mais corpo. A escuta amplia a dimensão coletiva da obra e reforça a presença da palavra falada como gesto de permanência. Levar Mar de Marielle para o catálogo da Tocalivros é reconhecer o papel da literatura, e da escuta, na preservação de memórias que seguem urgentes. 

É também afirmar que algumas vozes continuam ecoando, mesmo depois do silêncio que tentaram impor.

Na Tocalivros, Mar de Marielle pode ser ouvido como um convite à escuta atenta e à reflexão. O audiolivro está disponível na plataforma e no aplicativo, ampliando o acesso a essa memória coletiva por meio da palavra falada. 

[Link do audiolivro quando for lançado dia 03/02]

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