Eva Schloss refez sua vida, mas nunca revelou sua tragédia aos amigos e filhos. Só em 1988 decidiu contar sua história.

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imagem-1Eva Schloss nasceu em 11 de maio de 1929, na cidade de Viena, na Áustria. Filha do casal Fritzi Geiringer (Mutti) e Erich Geiringer (Pappy), de classe média, viveu uma infância despreocupada e feliz junto ao seu irmão Heinz. Quando Hitler invadiu a Áustria em 1938, a permanência dos judeus no país se tornou impossível, fazendo com que a família emigrasse para a Bélgica.

Eva teve dificuldades de integração pois pouco falava francês e nesse lugar a jovem foi abusada sexualmente por um homem estranho.

Por conta de várias dificuldades, a família resolve se mudar para Amsterdã, na Holanda. Nesse país o clima de camaradagem cresceu entre os judeus e vizinhos. Foi nessa época que Eva conheceu Anne Frank. O apartamento de Anne Frank era em frente ao dela. Eles pensavam estar em segurança vivendo na Holanda, mas para horror de todos, os nazistas invadiram o país. Eva também foi vítima da perseguição nazista e destinada a um campo de concentração, mas, ao contrário de Anne Frank, sobreviveu.

A família de Eva permaneceu escondida em casas de holandeses, que participavam da resistência. A família foi delatada, pois os nazistas ofereciam recompensas para quem entregassem os judeus. No dia em que completou 15 anos, foi levada pelos nazistas para Auschwitz. A Gestapo invadiu a casa e capturou as duas, mãe e filha. Após ser espancada, Eva e a família foram enviadas à Auschwitz em um trem de gado.

Chegando ao campo de concentração o primeiro trauma: a raspagem dos cabelos. Eva perdeu o nome e ganhou uma tatuagem com seu número. O que lhe confortava era saber que conseguiu ficar com sua mãe.

Ela deixou por escrito seu testemunho do horror, assim como tantos outros sobreviventes do massacre. Mas hoje, com 88 anos leva uma vida tranquila em Londres, mas resolveu romper o silencio após seis décadas, no audiolivro Depois de Auschwitz.

No audiolivro, Eva descreve o drama de centenas de milhares de judeus forçados a abandonar a cidade natal. Ela morou, durante sua juventude, em Amsterdã, mas com o tempo e as dificuldades geradas pela discriminação aos judeus, a família foi obrigada a se separar quando os alemães invadiram a Holanda. Eva e a mãe foram para um lado e seu irmão e o pai para outro.

No decorrer do audiolivro ela conta sua rotina nos campos de concentração, os abusos nazistas, a miséria, e o constante medo que os prisioneiros passavam de serem mortos de maneiras desumanas e queimados depois. Ela detalha os medos da família e o pior momento que Eva conta foi quando colocaram sua mãe na câmara de gás, mas no último momento, a mãe foi salva por uma prima, que trabalhava para o “doutor da morte”.

Outra memória descrita como terrível por ela, foi quando teve que arrastar mortos no campo de concentração, uma triste lembrança. Com o fim da guerra, ela e sua mãe conseguiram voltava para Amsterdã. O país estava devastado, muitas pessoas haviam morrido de fome. Ela começou a procurar por notícias de seu pai e irmão, foi quando soube que eles haviam sido assassinados em Auschwitz.

Eva conta que conheceu Anne Frank ainda na infância, antes das duas famílias se unirem. Ela se lembra de sua amiga como uma pessoa sorridente, alegre, sonhadora e muito vaidosa “Anne se arrumava primorosamente, vestia blusas e saias imaculadas, meias brancas e sapatos de couro envernizado” o contrário dela, diz Eva. “Era meu contrário, algo espetacular. Eu era um potro de cabelos ruivos, queimada pelo sol, roupa desalinhada de andar de bicicleta”

Foi então que a mãe de Eva, viúva, se reencontrou com o pai de Anne, Otto Frank, também viúvo e se tornaram mais próximos, pois a dor os uniam. “Um homem amável, um cavalheiro, apesar de estar atormentado pela morte de suas filhas; uma delas, Anne Frank”.

Em 1952 Fritzi (Mutti) se casaria com Otto Frank, pai de Anne Frank, vivendo com ele por 27 anos, tornando assim, Eva e Anne Frank “irmãs”.

Otto não a deixava dormir até mais tarde e sempre incentivava a sair de casa, sempre se preocupando com a possibilidade de Eva cair em depressão. Ela fez um curso de fotografia, pois o pais de Anne Frank a aconselhou a trabalhar por conta. Otto vivia em prol de preservar a memória da filha, sempre envolvido em projetos com esse objetivo.

Na Inglaterra Eva conheceu Zvi Schloss, um jovem israelense, que teve a sorte de sua família fugir da Europa antes do Holocausto. Ao lado de Zvi, teve três filhas: Caroline, Sylvia e Jacky. Após a morte de Otto e de Fritzi, Eva começou a trabalhar com a Fundação Anne Frank, antiga tarefa dos pais, recebendo até o título de “Membro do Império Britânico”, concedido pelo príncipe Charles por seus trabalhos na fundação. Eva também deu palestras em todo o mundo, inclusive em escolas e teatros.

Na época, Eva não queria falar do que tinha acontecido, pois ninguém estava interessado em ouvir mais uma história triste. Ela nunca fez terapia, ou teve qualquer ajuda do gênero. Apenas guardou para ela os horrores e depois que teve filhos, realmente não quis que eles soubessem o quanto ela tinha sofrido.

No audiolivro Depois de Auschwitz”, Eva relata sua experiência antes e depois do campo de concentração. Hoje, é considerada uma das maiores estudiosas do Holocausto e ainda dá palestras por todo o mundo.

Após seis décadas ela decidiu romper o silêncio e contar sua história com o audiolivro Depois de Auschwitz. Clique aqui e ouça por completo como foi essa terrível trajetória de Eva.

Confira o Relato de Eva:

Confira como foi o relato da narradora em narrar a história de Eva:

Atualmente Eva trabalha no Instituto Anne Frank e dá palestras sobre o Holocausto.

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