Descubra como aconteceu a única entrevista com Carlos Drummond de Andrade.

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Carlos Drummond de Andrade toda vida fugiu de jornalistas. Em 1977, completava 75 anos sem nunca ter dado uma entrevista sequer. Com toda a grande imprensa à sua procura, só uma jovem repórter de um pequeno jornal paulistano foi recebida por ele em seu apartamento, no Rio de Janeiro.

imagem-1Carlos Drummond de Andrade faria 75 anos, uma data digna de comemoração.

Foi aí que um jornal pequeno de São Paulo onde Nanete estagiava, decidiu fazer um sorteio para ver quem iria até o Rio de Janeiro para tentar conseguir qualquer coisa com Drummond. Seria uma tarefa difícil, já que ele sempre se negou a dar entrevista. Então perguntaram quem queria encarar o desafio… E obviamente, todos queriam. Foi feito então um sorteio com mais ou menos 10 pessoas para saber qual seria o repórter que iria até o Rio de Janeiro, conseguir o que fosse possível sobre o poeta.

Foi então que no sorteio saiu um papelzinho escrito ‘Nanete’. Ela demorou para acreditar que teria sido a feliz contemplada com a pauta tão desafiadora.

No começo ela se assustou pois nunca tinha viajado de avião, não conhecia o Rio e ninguém que morasse lá. E com 24 anos não tinha a real noção da importância de Drummond na literatura brasileira. Sabia apenas que ele era um grande poeta, um importante escritor e que fugiu a vida toda da imprensa. Só.

Um pouco tímida, mas intuitiva e determinada, trilhando seus primeiros passos como foca, como eram chamados os jovens jornalistas nas redações, não sabia como faria para ter contato com o grande poeta e conseguir qualquer coisa que pudesse. A única coisa que tinha para conseguir um possível contato com ele, era o telefone de José Louzeiro, escritor e dramaturgo que a princípio falou para ela esquecer, pois jamais o Poeta a receberia. Mas mesmo assim pode ajudá-la, dando alguns possíveis contatos, que era a única forma que ele poderia colaborar.

Ele passou o nome e telefone de seis possíveis amigos do poeta que talvez poderiam ajudá-la. Affonso Romano de Sant’Anna, Antonio Callado, Antônio Hoauaiss, Ferreira Gullar, Nélida Piñon e Pedro Nava.

Ela não sabia se quer, qual era a importância de cada um deles. Mas reconheceu que eram todos muito importantes. E cada um deles forneceram outros contatos. Ela diz que não teve dificuldades, mas sim, muita sorte! Foi então, que ela conseguiu entrevistar o grande Poeta em 31/10/1975.

Mas só após 37 anos, que ela decidiu contar como foi esse tão esperado encontro com Carlos Drummond de Andrade em seu audiolivro O Poeta e a foca que conta como foi esse tão esperado possível encontro com Carlos Drummond de Andrade que rendeu uma boa matéria e uma bela amizade com direito a trocas de telefonemas e cartas por longos anos. Ela revela também as conversas que teve com intelectuais, que falaram sobre o jeito de ser do Poeta, suas esquisitices, sua visão de mundo e idiossincrasias pessoais.

Será que foi o acaso que os aproximou? Ou porque ficou comovido pela determinação de uma jovem?

Ouça o audiolivro O Poeta e a foca e descubra mais sobre essa incrível história!

Veja também como foi a entrevista com a autora Nanete Neves e a narradora Zeza Motta.

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