A importância da direção de arte na produção de um audiolivro

Você sabe como funciona todo o processo de produção de um audiolivro? Ainda não? Então continue conosco e aproveite para conhecer algumas curiosidades sobre os audiobooks nos anos 1980.

O cuidado por trás da produção da Tocalivros vai desde a escolha do narrador, captação, edição do áudio, além da comum, porem cuidadosa, curadoria lítero-artístico.
Mas o passo inicial é entrar em contato com as editoras, por muitas vezes detentora dos diretos autorais. Contudo autores independentes também são bem-vindos a ter seus títulos em audiolivros. Acertado a parceria, essas obras entram em contado com o Diretor de Produção. Um dos requisitos dessa direção é conduzir e apontar as qualidades da obra a serem ressaltadas e os desafios que o narrador irá encontrar. É de extrema importância que a obra esteja em primeiro plano; o texto, diálogos, narrativa, personagens, estrutura, etc. Depois de toda análise vamos ao segundo passo: a escolha da voz certa para narrativa.

Cada história pede por um estilo de voz (interpretação) diferente, por isso existem diversos estilos de narradores, uns com foco em documentários, outros com foco em locução comercial, institucional, esportivo e muitos outros. A importância da escolha da voz certa para a determinada obra é essencial, até porque ele é o encarregado por transmitir o que está acontecendo na história da melhor forma que eleve o entendimento do texto para o ouvinte.
Obra e narrador escolhidos? Hora de começar a gravar.

Cada produtora tem um estilo de acompanhar o narrador em seu trabalho. A produção da Tocalivros tem aderido diversas técnicas para que sejam realizadas as produções, pois temos entendido que cada narrador traz um temperamento interpretativo diferente, que bem escolhido pode dar vida à obra. Saber conduzir a ação da narrativa para dentro do entendimento do texto é a chave para que o audiolivro não se transforme em um produto com uma leitura mecânica, sem personalidade e sem compreensão. Esse deslize tem sido muito comum nas produções. Muitos parceiros têm optados por uma boa voz simplesmente, escolhido um timbre bonito que o agrade, sem se dar conta se o narrador é um profissional habilidoso com e/em compreensão de texto; se sabe transmitir de forma natural e retirando a sensação de leitura em cada construção de texto, cada pensamento, cada ação que a obra transmiti em seu contexto. Logico que a dicção e oratória, assim como a dinâmica da leitura são fundamentais para manter a agilidade na produção e entrega do título em audiolivro. Estas capacidades já devem ser o pré-requisito de todo escolha do narrador, mas tornar a mensagem mais compreensível, tornando a expressão de ideias do autor através da narrativa é uma técnica que é desenvolvida pelos narradores da Tocalivros. Temos o cuidado de receber o profissional da voz, que geralmente vem de outro ramo da profissão (locução, dublagem, atuação…). Temos a segurança para que o bom profissional seja avaliado e muitas vezes direcionado para ser tornar um narrador de audiolivros dentro dessas qualidades, já que se trata de um ramo novo no mercado. Para isso a presença de um diretor na escolha do narrador e dentro dos estúdios, trará uma visão mais apurada sobre o conteúdo do texto. Fazendo a ponte de compreensão da obra com o profissional que vai narrar, para que cada audiolivro seja único e apreciado por todos os ouvintes.

Que Diretor é Esse?

Já falamos que a narrativa não pode prejudicar a experiência do ouvinte, por isso, o papel da direção de arte na narração é fundamental.
Mas qual tipo de Diretor é necessário para realizar este trabalho? Qual seria a formação deste profissional em um mercado tão novo?
Para entender qual a ideia de um bom Diretor Artístico de Audiolivros é necessário entender o mercado, o público, no que se entende como movimento social e cultural e, principalmente, a língua materna desse consumidor.

Mesmo que seja tentadora a ideia de se basear no exemplo de um mercado sólido como a da língua inglesa, como base para produção dos audiolivros, pode vim ser uma grande armadilha pela diferença cultural e linguística que temos. O inglês é uma língua compacta, para um povo acostumado a ouvir uma leitura mais neutra, mais flat. Não que não aja interpretação de texto, mas ele está em outro entendimento fonético, diferente do nosso no que se trata de ação sonora. Temos, no que eu entendo como um privilégio, uma língua rica foneticamente e, mais ainda, de entendimentos diversos em comparação entre regiões brasileiras.

A entonação sonora de nossa língua, nas suas variações, faz que uma simples frase venha a ter diversos significados. E mesmo que busquemos uma neutralidade nessa fonética, em exemplo dos telejornais (que ainda utilizam o recurso visual para ajudar), algo sutil nessa língua pode fazer que o ouvinte entenda de forma errada o contexto. O maior exemplo está em algumas produções de audiolivros realizados antigamente. Muitos delas produzidas e dirigidas por estrangeiros que tentaram abrir mercado no Brasil. Por um tempo até tiveram lucro, contudo a falta de entendimento de nossa língua distancio o público dessas obras em áudio.

Já ouviram Clarisse Lispector nessa narrativa pseudo-americana? Trata-se de um audiolivro direto, narrado corretamente, com a dicção impecável, captado com uma ótima qualidade, editado por um bom profissional do ramo, seguindo os padrões americanos de um bom audiolivro; contudo com pouco entendimento, sem emoção, distante como a Clarisse não deve ser, o que a torna, como já ocorreu em seu nome, um post falso de Facebook. Sem trazer a real personalidade criativa da autora. Outro Exemplo é a tentativa de dramatização em audiolivro da obra mais conhecida de Ariano Suassuna, “O Auto da Compadecida”. Conta no elenco desse áudio o ator, musico, dançarino e pesquisador de cultura popular, além de discípulo do próprio Ariano, o genial Antônio Nobrega. Este Audiolivro tem tudo que um boa audiodramatização poderia ter: diversos narradores para interpretar os muitos personagens da peça, trilha sonora do Movimento Armorial para ambientar a cultura nordestina e, como já disse, Antônio Nobrega, no papel principal da obra como João Grilo. Contudo, arrisco dizer que faltou um olhar mais clinico com a direção para o resultado final. Falta ritmo! O humor tão caraterístico do povo maravilhoso do Nordeste através da fonética ora arrastada, ora frenética; Entrosamento com a língua falada na interpretação colocada pelos narradores. Fazer simplesmente sotaque não é o bastante, precisa de entendimento com este tal Português.

Aqui no Brasil falamos a Língua Portuguesa, a língua latina que faz parte da última flor do Lácio, cantado assim pelo soneto do Poeta Olavo Bilac (1865-1918). Que de acordo com o poeta e alguns estudos de linguística, trata-se do Latim Vulgar, falado por soldados, camponeses e camadas populares do Império Romano. Contudo estamos também lidando com o Português além-mares, o lusitano, ibérica com influencias Mouras, que vai se juntar a língua dos povos indígenas sul americanos, aos povos africanos vindos ao Brasil por meio da terrível escravidão. Árabes, Judeus fugidios, Invasão Holandesas, Japoneses, Italianos, Alemães e muitos outros. Toda essa junção que faz de um Brasil, muitos Brasis. Sim, bem-vindo a complexidade de se montar um mercado de audiolivros em terras com diversos tipos de fonéticas, sotaques, estrutura de entendimento contextual. Um Pais dos Folhetins Realistas de Machado de Assis, o Modernismo Andradeanos de Mario, Oswald, Carlos e Jorge e a língua na sua totalidade do que pode ser revisto, novo e aplicado no exemplo das obras de Guimaraes Rosa.

Realmente temos um desafio em mãos, mas trago boas notícias para estas terras tupiniquins-ibérico-nagô-queto: que fazemos parte de uma formação, de sua grande maioria, de uma grande força popular na soma dessas nações, que gosta de ouvir uma boa história: Os índios que aqui habitavam e desconhecia a escrita, mas conservava seus ritos e costumes pela memória auditiva. A grande massa de imigrantes que vieram ao Brasil, seja pelos letrados Jesuítas e até o piratas e traficantes que sabiam mais ler as estrelas do que o Lusíadas. Os Africanos arrastados para trabalhar em nossos plantios e mineradoras, cujas lendas transmitidas são uma mistura de cantos e danças. Pessoas que conservaram em sua cultura e somaram na formação da nossa, a relação com a oralidade. São os contadores de causos, os pajés das lendas, o teatro popular de rua, as trovas de escarnio, os ritos cantados e as notícias de bocas. Essa língua nasceu antes do nas ruas de Roma pelo Latim Vulgar, o índio do mato, o lamento do navio negreiro, as cantinas e bares do entre guerras. Pessoas conversando e conversando diverso dialetos, sotaques, cultura. Sim cultura! A nossa língua é pulsante e viva pelas diversas culturas. Entender o que forma este gostar de contar e ouvir de nossa cultura, do norte ao sul do Brasil, é a chave de um bom audiolivro.
Mas mesmo assim tem que se tomar cuidado, pois o audiolivro tem que ser como o princípio de uma boa leitura: para todos!

Aí voltamos a ideia de qual profissional está apto em assumir a fronte da produção do audiolivro?! O primeiro que pensamos é o profissional das Letras. Com certeza este seria um bom profissional para trazer uma profundidade em desvendar os segredos que o texto traz, mas também deve saber como conduzir o temperamento interpretativo do narrador para que a narrativa esteja em sintonia com o conteúdo escrito. Talvez alguém formado nas áreas das Artes Cênicas poderia ser o indicado, no entanto muitos profissionais deste ramo trazem estruturas de concepções artísticas bem individuais de acordo com sua formação e gosto, que mesmo mantendo o texto original, a ideia muito privada do artístico nas produções das estruturas interpretativas, podem prejudicar a obra no que se diz respeito do foco de ser comum a todos. Sendo particular apenas para um nicho especifico de ouvinte. Em outras palavras, o audiolivro não pode ser como o filme ou uma encenação teatral, que preza apenas a visão artística unilateral do diretor, corre o risco de ser temporal, saturar os ouvintes (o que também ocorre em uma leitura branca). Além do mais um audiolivro nunca se trata de uma adaptação. O texto é todo na integra, dificultando muitas ideias artísticas, sendo necessário focar no entendimento da locução. Poderia ser então um diretor na área de comunicação aplicada no segmento da voz, como locutores, dubladores, radialistas, narradores de uras e propaganda? Aí teremos outro ponto a ser observado, o audiolivro pode ser tornar muito comercial. Uma leitura mecânica e comum do meio da propaganda e vinhetas. Aquela leitura que as pontuações são tão aplicadas tecnicamente, assim como a construção gramatical, que cria um distanciamento muito forte entre o texto e o ouvinte. No caso dos Dubladores pode cair no exagero, pois os mesmos sempre lidam com expressões e construções narrativas viciadas, como o também é o caso de muitos radialistas e locutores comerciais. Contudo todos esses profissionais são a base do audiolivro.

Depois de tudo isso, ainda a pergunta fica. Qual é este profissional de audiolivro habilitado a reger a produção?
A resposta está talvez no bom senso, na medida crítica e acima de tudo por alguém apaixonado por leitura. Que observe a manifestações que envolva a forma de relacionamento que as pessoas têm com a língua brasileira e como elas podem absorver isso em áudio. Alguém que aproxime as diversas gamas de profissionais com o texto que mais casa com seu temperamento de entendimento. Pois esse Diretor de audiolivros tem que ter um máximo respeito pela obra, qualquer uma. Saber entender que lidara com uma gama de títulos, que não fazem muitas vezes parte de seu gosto pessoal; nesse caso saber que o foco está no ouvinte. Deve entender de interpretação, locução e narração. Apesar de termos que lidam com a voz, são estilos bem diferentes. Vai lidar com profissionais distintos, que ainda seguem outros estilos diversos dentro desse três citados. Vemos que não se trata de timbre, ou voz agradável, mas sim de saber transmitir, contar uma boa história em língua falada, no bom português, mesmo sendo um texto de autor estrangeiro que fora traduzido. Então entendemos que diretor é o ser extremamente e necessariamente presente em todas as etapas de produção, que precisa saber fazer o casamento perfeito entre o narrador certo (seu estilo interpretativo e suas limitações de narração) com a obra. Sendo que esta obra foi pré-avaliado, percebido na sua compreensão contextual da ideia que o título quer transmitir, suas nuances e dificuldades de entendimento, para aí poder escolher em sua lista de profissionais, qual o melhor indicado a realizar a narrativa. Ufa!

A Tocalivros além da maior produtora de audiolivros no Brasil, também se destaca por se preocupar com a qualidade e pesquisa sobre como realizar sempre o melhor para o ouvinte. Fomentando o conhecimento e a cultura. Sabemos que como a própria língua portuguesa, que sempre está em transformação, nossa produção e pesquisa, também se preocupa em acompanhar este movimento e os diversos estilos literários e editoriais já existente no mercado e outros que vem surgindo. Por isso faz parte da ideia central não cristalizar em nenhum momento um formado de narração, que seja erroneamente compreendida como ideal e formato definitivo de produção de audiolivro. Para isso estamos abertas as dicas, apontamentos e observações vindo do ramo editorial, edições independentes e outras manifestações de publicações, que queira ver sua obra se transformadas em audiolivros, nesse mercado que só vem a crescer.

Este é um pequeno artigo sobre produção. Acompanhe nosso blog para saber mais sobre detalhes de produção e o mercado de audiolivro.
Whatsapp: (11) 99673-5278
E-mail: contato@tocalivros.com

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